Por Alun John e Yadarisa Shabong e Dhara Ranasinghe
LONDRES, 14 Mar (Reuters) - A segunda Presidência de Donald Trump nos Estados Unidos está tendo um impacto dramático sobre moedas de todo o mundo, embora não da forma como os investidores previam há apenas alguns meses.
O dólar tem se enfraquecido neste ano em relação a todas as outras moedas de mercados desenvolvidos, exceto a do Canadá, devido à preocupação de que a incerteza tarifária esteja prejudicando a economia dos EUA.
"As tarifas, de modo geral, tendem a ser boas para o dólar", disse Lefteris Farmakis, estrategista de câmbio do Barclays. "Mas quando são aplicadas contra parceiros comerciais muito próximos, podem prejudicar a confiança nos EUA."
Os riscos de recessão nos EUA estão aumentando e os investidores também veem motivos para comprar moedas como o euro e o iene por si só.
Confira alguns dos principais movimentos nos mercados de câmbio neste ano:
1/ EURO TRANSFORMADO
A proposta histórica da Alemanha de aumentar os gastos com defesa e infraestrutura catapultou o euro. Na semana passada, a moeda única europeia registrou seu maior ganho semanal frente ao dólar desde 2009 e está a caminho de seu melhor trimestre desde 2022, com uma alta de 5%.
Em torno de US$ 1,09, o euro EUR=EBS está em seu ponto mais alto desde a eleição de 5 de novembro nos EUA.
O Banco Central Europeu está se aproximando do fim de seu ciclo de afrouxamento monetário e o aumento dos gastos com defesa na Europa mudou as perspectivas para o euro de forma fundamental, disse Kenneth Broux, chefe de pesquisa corporativa de câmbio e taxas do Société Générale, observando que as tarifas dos EUA continuam sendo um risco para os ganhos.
2/ GANHOS DO IENE
Outro grande vencedor tem sido o iene, cerca de 6% mais forte em relação ao dólar até o momento neste ano, graças à taxa de juros mais alta no Japão e às buscas por ativos seguros.
"Se você quiser se proteger contra o risco de desaceleração nos EUA, você vai para o Japão por causa dos riscos de redução dos rendimentos dos Treasuries", disse Farmakis.
O iene é particularmente sensível a mudanças na diferença entre os custos de empréstimos dos EUA e do Japão. Enquanto isso, os acontecimentos positivos para a moeda japonesa no país incluem empresas que atendem às demandas dos sindicatos por aumentos salariais substanciais.
Isso pode levar o Banco do Japão a acelerar os aumentos de juros, elevando o apelo do iene após quatro anos consecutivos de quedas.
3/ VIZINHO HOSTIL
A pressão sobre as moedas de Canadá e México, os dois maiores parceiros comerciais dos EUA, diminuiu, mas é improvável que desapareça em breve CAD=, MXN=.
O ING afirma que os níveis atuais de negociação sugerem que um prêmio de risco de 2% está cotado no dólar canadense, metade do pico do prêmio de risco observado no início de fevereiro, quando atingiu as mínimas de 22 anos em relação ao dólar.
O peso mexicano se valorizou 5% em relação às mínimas de três anos atingidas no mês passado ante o dólar. Em torno de 20,10 por dólar, o peso voltou a se aproximar dos níveis anteriores à eleição nos EUA.
A suspensão por Trump das tarifas de 25% impostas à maioria dos produtos de Canadá e México é positiva, mas as tarifas universais de aço e alumínio entraram em vigor na quarta-feira, atraindo retaliação do Canadá - o maior fornecedor estrangeiro de aço e alumínio para os EUA - e incentivando outro corte de juros do Banco do Canadá.
4/ CHINA NÃO TÃO FRÁGIL
Esperava-se que o iuan sofresse mais do que a maioria das moedas com as políticas de Trump. Alguns esperavam que Pequim permitisse que sua moeda e enfraquecesse para atenuar o impacto das tarifas, como fez durante a primeira Presidência de Trump, especialmente na guerra comercial de 2018 e 2019.
A China foi atingida por mais tarifas do que a maioria, mas o iuan tem se fortalecido neste ano para ser negociado em torno de 7,25 iuanes por dólar. CNY=CFXS, CNH=D3
O Bank of America disse que uma razão pela qual as autoridades chinesas não incentivaram uma taxa de câmbio mais fraca em relação ao dólar é que outras moedas emergentes da Ásia se fortaleceram mais do que o iuan, apoiando os exportadores chineses.
"A China ainda está conseguindo uma depreciação relativa do iuan em relação a seus principais parceiros comerciais, apesar da modesta valorização do iuan em relação ao dólar", disse.
((Tradução Redação São Paulo, +55 11 5047-3075))
REUTERS FC