NUUK, Gronelândia, 28 Mar (Reuters) - O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, deve aterrar na Gronelândia, esta sexta-feira, numa altura em que o Presidente Donald Trump está a renovar a sua insistência para que Washington assuma o controlo do território semi-autónomo dinamarquês.
A visita à base militar norte-americana de Pituffik, no norte da ilha árctica, ocorre poucas horas após ter sido apresentada, na capital Nuuk, uma nova coligação governamental alargada, que pretende manter, por enquanto, os laços com a Dinamarca.
O novo primeiro-ministro afirmou que a visita norte-americana assinalava "falta de respeito" e apelou à unidade face à "pressão do exterior".
A delegação norte-americana, que incluirá também a mulher de Vance, Usha, o conselheiro de segurança nacional, Mike Waltz, e o secretário da energia, Chris Wright, deverá aterrar por volta das 1530 TMG.
O plano inicial da viagem era que a mulher de Vance fizesse uma visita a uma corrida de trenós puxados por cães na ilha, juntamente com Waltz, apesar de não terem sido convidados pelas autoridades da Gronelândia ou da Dinamarca.
Os protestos públicos e a indignação das autoridades da Gronelândia e da Dinamarca levaram a delegação dos Estados Unidos a deslocar-se apenas à base militar e a não se encontrar com o público.
Nos termos de um acordo de 1951, os Estados Unidos têm o direito de visitar a sua base sempre que o desejarem, desde que notifiquem a Gronelândia e Copenhaga. Pituffik está localizada ao longo da rota mais curta entre a Europa e a América do Norte e é vital para o sistema de alerta de mísseis balísticos dos Estados Unidos.
Trump reiterou, na quarta-feira, o seu desejo de tomar a Gronelândia, ao dizer que os Estados Unidos precisam da ilha estrategicamente localizada para a segurança nacional e internacional.
"Por isso, penso que iremos até onde for necessário. Precisamos da Gronelândia e o mundo precisa que tenhamos a Gronelândia, incluindo a Dinamarca", afirmou.
A ilha, cuja capital Nuuk fica mais perto de Nova Iorque do que da capital dinamarquesa Copenhaga, possui riquezas minerais, petróleo e gás natural, mas o desenvolvimento tem sido lento e o sector mineiro tem tido um investimento norte-americano muito limitado. As empresas mineiras que operam na Gronelândia são, na sua maioria, australianas, canadianas ou britânicas.
Um responsável da Casa Branca afirmou que a Gronelândia possui uma grande quantidade de minerais de terras raras que poderiam alimentar a próxima geração da economia dos Estados Unidos.
O novo primeiro-ministro da Gronelândia, Jens-Frederik Nielsen, apelou, esta sexta-feira, à unidade política.
"Numa altura em que nós, como povo, estamos sob pressão, temos de nos manter unidos", disse Nielsen numa conferência de imprensa.
O seu partido pró-empresarial, os Democratas, que defende uma independência gradual da Dinamarca, emergiu como o maior partido nas eleições de 11 de Março.
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, que tinha considerado os planos iniciais para a visita norte-americana "inaceitáveis", felicitou a Gronelândia pelo seu novo governo numa publicação no Instagram: "Aguardo com expectativa uma cooperação estreita numa época desnecessariamente cheia de conflitos".
As sondagens mostram que quase todos os gronelandeses se opõem a que a Gronelândia se torne parte dos Estados Unidos. Os manifestantes anti-americanos, alguns com bonés "Make America Go Away" e cartazes "Yankees Go Home", organizaram algumas das maiores manifestações jamais vistas na Gronelândia.
Na quinta-feira, os residentes de Nuuk colocaram bandeiras gronelandesas na neve e um cartaz de cartão em inglês que dizia "A nossa terra. O nosso futuro".
Texto integral em inglês: nL2N3QB064