Investing.com – Os índices futuros das bolsas americanas indicam abertura mista nesta quinta-feira, após um pregão de queda influenciado, em parte, pelas declarações do presidente Donald Trump sobre novas tarifas no setor automotivo. O mandatário afirmou que os Estados Unidos começarão a aplicar tarifas sobre importações de automóveis a partir do início de abril, o que pressionou as ações de montadoras no after market.
Além disso, os investidores monitoram, no mercado internacional, o balanço da Lululemon e a precificação do IPO da CoreWeave, apoiada pela Nvidia (NASDAQ:NVDA).
No Brasil, os destaques serão a divulgação do IPCA-15, pelo IBGE, e do relatório trimestral de inflação, pelo banco central.
Os contratos futuros operavam sem direção definida nas primeiras horas da manhã, refletindo a reação do mercado ao novo pacote tarifário proposto por Trump.
Às 8 h de Brasília, os futuros do Dow Jones subiam 0,09%, enquanto os do S&P 500 e do Nasdaq 100 caíam 0,02% e 0,13%, respectivamente.
CONFIRA: Cotação das ações dos EUA na pré-abertura em Wall Street
Na sessão anterior, os principais índices encerraram em baixa, com destaque para o setor de tecnologia. A pressão veio após relatório do TD Cowen sugerir que a Microsoft (NASDAQ:MSFT) estaria reconsiderando parte dos investimentos em infraestrutura de data centers.
A decisão de Trump de aplicar tarifas de 25% sobre veículos importados agravou o movimento de baixa (mais detalhes abaixo), especialmente após rumores recentes indicarem que a Casa Branca poderia adiar tarifas em alguns segmentos.
Trump anunciou que pretende iniciar a cobrança dessas tarifas em 3 de abril, cumprindo promessa anterior de tributar veículos e caminhões fabricados fora do país. Falando diretamente do Salão Oval na quarta-feira, ele afirmou que as tarifas incidirão sobre “todos os automóveis não produzidos nos EUA”. Uma segunda medida, que ajusta as tarifas aplicadas conforme o tratamento recebido por produtos norte-americanos no exterior, também deve entrar em vigor na mesma data, embora o presidente tenha indicado que as alíquotas poderão ser inferiores às estimativas iniciais.
O anúncio não mencionou isenções específicas para México e Canadá — dois países fundamentais na cadeia de produção automotiva e que mantêm acordos de livre comércio com os EUA.
As ações das montadoras americanas Ford (NYSE:F), General Motors (NYSE:GM) e Stellantis (NYSE:STLA) recuaram nas negociações estendidas de quarta-feira. Na Europa, a Volkswagen (ETR:VOWG), maior montadora da região, está particularmente vulnerável, com 43% de suas vendas nos EUA oriundas do México, segundo a S&P Global Mobility. Mercedes Benz, BMW e Porsche (ETR:P911_p) também enfrentam forte pressão.
Segundo Trump, a medida visa compensar perdas de arrecadação causadas por incentivos fiscais e estimular o retorno da produção industrial ao território americano. A reação dos parceiros comerciais ainda não foi totalmente definida, mas líderes do Canadá e da União Europeia já expressaram críticas.
"Em um horizonte mais longo, isso pode favorecer o investimento doméstico e a produção local. No curto prazo, porém, tende a gerar pressões inflacionárias e, se os produtores internos elevarem seus preços de forma acentuada, os veículos novos podem se tornar artigos de luxo", avaliou Paul Ashworth, economista-chefe para América do Norte na Capital Economics.
No radar dos investidores, o mercado acompanha o resultado trimestral da Lululemon, previsto para o fim do dia. As atenções estarão voltadas para eventuais comentários da administração sobre as perspectivas para o consumo discricionário, em meio a sinais de cautela por parte dos consumidores, influenciados pelas incertezas econômicas e tarifárias.
As ações da empresa canadense, conhecida por roupas voltadas a atividades como corrida e ioga, acumulam queda superior a 9% no ano. Ainda assim, analistas da Vital Knowledge destacaram que o mercado segue com visão positiva sobre os fundamentos da companhia e espera resultados consistentes, além de orientações financeiras alinhadas.
As projeções do consenso Bloomberg apontam lucro por ação de US$ 5,86 no quarto trimestre, com receita líquida de US$ 3,57 bilhões.
Outro destaque é a precificação do aguardado IPO da CoreWeave, previsto para o fim do dia. A empresa, especializada em serviços de computação em nuvem voltados à inteligência artificial, deve estrear na Nasdaq na sexta-feira, podendo captar até US$ 3 bilhões, conforme o teto da faixa indicativa.
Antes da abertura de capital, a CoreWeave firmou contrato de US$ 11,9 bilhões com a OpenAI. A desenvolvedora do ChatGPT receberá US$ 350 milhões em ações da CoreWeave via colocação privada, segundo a Reuters.
A Nvidia, uma das principais investidoras, detém 5,96% do capital Classe A da companhia, participação que deve cair para 5,05% após o IPO. A empresa conta com aproximadamente 583 milhões de ações diluídas em circulação, conforme apuração da agência.
O desempenho da oferta será um teste importante para medir o apetite dos investidores no atual cenário do mercado de capitais dos EUA, ainda morno, e também para avaliar o interesse em empresas do setor de inteligência artificial, que tem sustentado parte do recente rali nas bolsas.
Por fim, os preços do petróleo recuam após atingirem máxima de um mês. Dados do governo norte-americano confirmaram forte queda nos estoques de petróleo bruto, sinalizando demanda aquecida.
O barril do petróleo Brent, referência internacional e para a Petrobras (BVMF:PETR4), recuava 0,3%, a US$ 72,82, enquanto o barril do Texas (WTI), referência nos EUA, cedia 0,4%, negociado a US$ 69,39, no mercado futuro.
Na véspera, ambos os contratos haviam subido cerca de 1%, impulsionados pela redução de 3,3 milhões de barris nos estoques, superando a estimativa de queda de 956 mil barris. Apesar disso, a notícia sobre as tarifas no setor automotivo reacendeu preocupações quanto aos possíveis impactos sobre a atividade econômica global.
O destaque do calendário econômico no Brasil é o IPCA-15, índice considerado uma “prévia” da inflação oficial, para o mês de março.
Na divulgação anterior, o indicador avançou 1,23%, a maior variação mensal desde abril de 2022 e a mais intensa para um mês de fevereiro em quase uma década. A taxa acumulada em 12 meses subiu para 4,96%, superando o teto da meta perseguida pelo banco central. Apesar desse salto, o índice veio abaixo das expectativas do mercado, o que influenciou positivamente os ativos brasileiros.
O mercado também acompanhará a divulgação do relatório trimestral de inflação pelo banco central hoje, quando as autoridades monetárias farão declarações de como veem as pressões de preço na economia. A coletiva de imprensa, com início previsto às 11 h, contará com a presença do presidente da instituição, Gabriel Galípolo.
No cenário político, o Supremo Tribunal Federal decidiu tornar réu o ex-presidente da República, Jair Bolsonaro, e outros aliados, por tentativa de golpe de Estado em 2022.
A decisão unânime da primeira turma do tribunal abre um processo criminal que pode levar a penas de até 43 anos de prisão. O caso seguirá com etapas como interrogatórios, produção de provas e alegações finais, antes do julgamento e possível condenação.
Especialistas avaliam que, embora o STF deva priorizar o caso, a complexidade do processo e o número de réus devem alongar a tramitação. A estimativa é que uma sentença possa sair entre o fim de 2025 e 2026, dependendo do ritmo das fases processuais e eventuais recursos.