Por Andrew Osborn
MOSCOU, 1 Abr (Reuters) - A Rússia não pode aceitar as propostas dos Estados Unidos para acabar com a guerra na Ucrânia em sua forma atual, porque elas não abordam os problemas que Moscou considera terem causado o conflito, disse um diplomata russo sênior, sugerindo que as negociações entre EUA e Rússia sobre o assunto estão paralisadas.
Os comentários do vice-ministro das Relações Exteriores, Sergei Ryabkov, indicam que Moscou e Washington não conseguiram, até o momento, superar as diferenças que o presidente Vladimir Putin levantou há mais de duas semanas, quando disse que as propostas dos EUA precisavam ser reformuladas.
Isso ocorre no momento em que o presidente dos EUA, Donald Trump, parece estar cada vez mais impaciente com o que ele sugeriu ser uma demora de Moscou em fechar um acordo mais amplo.
Nos últimos dias, Trump disse que estava "irritado" com Putin e falou em impor sanções aos países que compram petróleo russo se achar que Moscou está bloqueando um acordo.
Ryabkov, especialista nas relações entre os EUA e a Rússia, disse que Moscou ainda não foi capaz de avançar com um acordo.
"Levamos muito a sério os modelos e soluções propostos pelos norte-americanos, mas não podemos aceitar tudo em sua forma atual", declarou Ryabkov à revista russa "International Affairs", segundo a mídia estatal, em uma entrevista divulgada nesta terça-feira.
"Até onde podemos ver, não há lugar neles hoje para nossa principal demanda, ou seja, resolver os problemas relacionados às causas fundamentais desse conflito. Está completamente ausente, e isso precisa ser superado."
Putin tem afirmado que quer que a Ucrânia abandone suas ambições de se juntar à Otan, que a Rússia controle a totalidade de quatro regiões ucranianas que reivindicou como suas e que o tamanho do Exército ucraniano seja limitado. Kiev diz que essas exigências são equivalentes a pedir sua rendição.
Questionado sobre os últimos comentários de Trump sobre querer que Putin faça um acordo sobre a Ucrânia, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse aos repórteres na terça-feira que Moscou "continua nossos contatos com o lado norte-americano".
"O assunto é muito complexo. A essência do que estamos discutindo, relacionada ao acordo com a Ucrânia, é muito complexa. Isso exige muito esforço extra."
Antes do fim de semana, Trump havia adotado uma postura mais conciliatória em relação à Rússia, o que havia deixado os aliados ocidentais cautelosos, ao tentar intermediar o fim do conflito na Ucrânia, agora em seu quarto ano.
Porém, nos últimos dias e em meio ao lobby dos europeus, como o presidente da Finlândia, que o pressionou a responsabilizar a Rússia, ele adotou um tom mais duro.
((Tradução Redação São Paulo))
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